quinta-feira, fevereiro 22, 2018

O "HIMMLER" SOVIÉTICO


O meu novo livro. Desta vez, a biografia de uma das figuras políticas mais tenebrosas do sec. XX, que continua a ter seguidores. Porque será? Alguém lhe chamou "o meu Himmler". Quem terá sido?

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Moscovo apoia polémica lei do Parlamento Polaco

Serguei Jelezniak

A União Europeia deverá ter uma posição de condenação, clara e firme, da lei aprovada pelo Parlamento da Polónia (que necessita apenas da assinatura do Presidente da República para entrar em vigor), que pretende castigar aqueles que ousarem falar do colaboracionismo de polacos com os nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma tentativa de branquear a História, e tentativa muito absurda. Todos sabemos que os polacos, na sua grande maioria, resistiram e combateram contra o nazismo, mas não se pode negar que alguns colaboraram com os nazis no extermínio dos judeus e dos polacos resistentes.
O mesmo se pode dizer em relação ao período em que a Polónia foi subjugada pela URSS depois da Segunda Guerra Mundial. Foram muitos os que colaboraram com os comunistas, uns por convicção, outros por carreirismo, mas também foram muitos os que resistiram e não quiseram colaborar.
Sem uma discussão séria e aberta do passado, por muito dolorosa que seja, os povos não podem olhar para o futuro. É preciso enfrentar e destruir os fantasmas do passado.
Os Estados Unidos e Israel condenaram a aprovação dessa lei (se ela for interpretada à letra, muitas vítimas do Holocausto poderão ser condenadas por terem relatado episódios da sua vida), mas, por muito paradoxal que possa parecer para alguns, ela recebeu o apoio da Rússia. Eu tive dificuldade em acreditar, pois Moscovo chama a si a herança da vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Como será possível?
A resposta encontra-se no ódio actualmente fomentado pelos dirigentes russos contra os ucranianos.
Vamos por partes. Serguei Jelezniak, vice-presidente do Partido Rússia Unida, força política dirigida por Vladimir Putin, manifestou apoio à decisão do Parlamento da Polónia, porque o documento sublinha que os polacos "não querem a repetição da tragédia da Segunda Guerra Mundial e protestam contra o renascimento do nazismo na vizinha Ucrânia".
Recordo que a lei aprovada pelos deputados polacos prevê castigos para os que negarem a Matança de Volinsky, massacre realizado pela Organização de Nacionalistas Ucranianos em 1943 e que provocou a morte a numerosas dezenas de civis polacos. Este crime é negado pelos actuais dirigentes ucranianos, que sofrem de igual cegueira histórica.
Não simpatizando com nenhum tipo de nacionalismo, considero que essa matança tem de ser reconhecida como uma das páginas negras da Segunda Guerra Mundial, mas não deve, nem pode servir para apoiar a parte da lei polaca que pretende castigar aqueles que ousarem falar do colaboracionismo de polacos com os nazis durante a Segunda Guerra Mundial. O dirigente russo considera que "o Parlamento da Polónia revelou sabedoria política e deu um exemplo de luta contra as manifestações de fascismo por parte de outros políticos ocidentais". 
Os deputados polacos aprovam uma decisão que deve ser repudiada por qualquer pessoa de bom senso e um dos dirigentes russos bem apoiá-la? Será que o passo seguinte dos dirigentes russos será proibir a crítica dos erros cometidos por Estaline e pelos chefes militares da URSS na Segunda Guerra Mundial? Por exemplo, proibir de que se fale do Pacto Molotov/Ribbentrop - Hitler/Estaline.
Mas será que a História não ensina mesmo nada?

segunda-feira, janeiro 22, 2018

A verdadeira política de Putin na Síria.

O conselheiro da direcção do partido curdo "União Democrática" (PYD), Sihaniuk Dibo, confirmou ao jornal russo RBC que a Rússia propôs à "União das Forças Democráticas Sírias" (SDF) (braço armado do PYD) que entregasse a região de Afrin às tropas governamentais de Bashar Assad em troca da não realização da operação turca contra os curdos. Estes não aceitaram e aconteceu o que aconteceu.
Para enquadrar melhor estas declarações, aqui fica a análise publicada por mim hoje, no Observador.

http://observador.pt/opiniao/siria-nao-ha-mergulho-em-aguas-santas-que-lave-a-hipocrisia/


quinta-feira, janeiro 18, 2018

Não humilhem mais a democracia




As eleições do novo dirigente do PSD mostraram que o escrutínio foi realizado com ilegalidades tão flagrantes que apenas podem desacreditar ainda mais o actual regime político e ferir a legitimidade de Rui Rio. Isto se ainda resta alguma vergonha aos políticos e eleitores.

Não sou militante do PSD, não tenho simpatias especiais por nenhum dos candidatos, mas já sei que, nas próximas eleições, terei menos possibilidade de opção consciente e cívica. Depois de ver a forma como decorreu a campanha eleitoral e a votação, tenho dúvidas de que algum dia irei votar em Santana Lopes ou Rui Rio numas eleições nacionais.

Enquanto decorriam debates acesos mas pouco claros e construtivos entre os dois candidatos, surgiam notícias de que estavam a ser feitos pagamentos de quotas à pressão para aumentar o número de militantes do Partido Social-Democrata que pudesse votar. O Observador denunciou que “nesta eleição, as provas do tradicional caciquismo abundaram. Desde logo, o pagamento massivo de quotas nas últimas horas: a 15 de dezembro, antes do fecho dos cadernos eleitorais, no último dia para o pagamento de quotas, havia cerca de 50 mil inscritos, segundo a sede nacional do PSD; nos momentos derradeiros foram saldadas mais de 20 mil quotas e os militantes ativos dispararam para mais de 70 mil. A quota é de 1 euro mensal, 12 euros por ano” ”( http://observador.pt/especiais/video-como-os-caciques-de-ovar-angariaram-votos-para-rio/).

Não li nem ouvi qualquer tipo de desmentido, embora se trate de uma violação clara das regras democráticas, que não pode ser justificada por argumentos do tipo “noutros partidos fazem o mesmo”.

Mas a batota não ficou apenas por aí. O mesmo texto publicado pelo Observador é acompanhado de um vídeo que mostra a forma como venceu Rui Rio em Ovar. Nesta situação, o mínimo que se exige é uma investigação deste caso de flagrante caciquismo e, se se constatar que os episódios descritos são verdadeiros – pessoalmente, não tenho dúvidas de que são -, repetir o escrutínio pelo menos nas regiões onde foram detectadas acções ilegais e, no máximo, repetir a eleição com toda a transparência e legalidade. O PSD e a democracia portuguesa só ganhariam com isso.

Durante os muitos anos que vivi na Rússia, tive a oportunidade de assistir a eleições e, principalmente durante a era de Vladimir Putin, que já dura há mais de 17 anos e sem fim à vista, tive a oportunidade de assistir a esse tipo de truques para não só aumentar a afluência às urnas, mas destacar a “popularidade crescente” dos líderes russos.

Quando isto acontece em regimes como o de Vladimir Putin, são muitas as vozes que justamente se levantam para criticar a “democracia soberana”, mas o mesmo não deverá ser válido para as eleições de dirigentes partidários portugueses? Será que voltámos ou nunca saímos da política de “dois pesos, duas medidas”?

A credibilidade dos actuais partidos políticos portugueses já não é grande e certamente que não aumentará com dirigentes partidários eleitos da mesma forma como foi eleito Rui Rio.

Os partidos políticos deveriam ser escolas da democracia, mas, pelos vistos, parecem ser mais universidades de caciquismo, clientelismo, batota e corrupção. Penso que não vale a pena enumerar exemplos, pois arriscar-me-ia a ocupar demasiado espaço.

Mas os eleitores portugueses têm também sérias responsabilidades nesta situação, pois os políticos que temos, graças a Deus e à democracia, não nos são impostos por ninguém, somos nós que os escolhemos livremente.   



P.S. Recorri ao exemplo de “eleições livres” na Rússia não porque pretenda denegrir o Presidente Putin (os russos que resolvam os seus problemas internos), mas porque é o país que melhor conheço. Mas poder-se-ia recorrer a outros exemplos como a realização de eleições na Ucrânia, onde, pela primeira vez na história, se realizou, em 2004-2005, uma terceira volta para se eleger um Presidente.

domingo, novembro 26, 2017

Recordar 25de Novembro de 1975


Há forças políticas que tudo fazem para que os portugueses se esqueçam do 25 de Novembro de 1975, porque pretendiam impor uma ditadura comunista em Portugal e foram travados por militares e políticos responsáveis. Mas não nos devemos esquecer que os ideais do 25 de Abril morreriam se a extrema-esquerda tomasse o poder.
Por isso deixo aqui um fragmento do livro: "Brejnev, Cunhal e 25 de Abril", por mim publicado em 2013 na D. Quixote:
"Ainda antes da viagem de Francisco Costa Gomes à URSS, o CC do PCUS enviou a Lisboa, em setembro de 1975, Vadim Zagladin, um alto funcionário da Secção Internacional desse partido, a fim de aconselhar Álvaro Cunhal a não radicalizar a situação, ou seja, a renunciar à tomada do poder através da «revolução socialista».
Anatoli Tchernaiev [quadro responsável do PCUS], assinala, no seu diário, a 11 de setembro de 1975: «Estou a trabalhar há uma semana. Leio muito sobre a social-democracia e sobre Portugal. Zagladin foi enviado para esse país com uma missão especial, enviou três telegramas. A sua tarefa (directivas do CC) consistia em “sugerir” a Cunhal “não esquerdizar”, parar, talvez mesmo recuar, para reunir forças. A política para chegar ao poder através dos militares falhou. Pelos vistos, faltou à táctica leninista alguns elementos substanciais».
Esta visita foi confirmada mais tarde pelo próprio Vadim Zagladin, funcionário da secção Internacional do CC do PCUS, quando o entrevistei para o jornal Público: «Em 1975, havia muitos indícios de que nalguns círculos, nomeadamente militares pró-comunistas, amadurecia a ideia de uma segunda revolução, mas, segundo a nossa embaixada e os nossos analistas, não havia condições para esse desenvolvimento. Nesse período, nós e os nossos camaradas comunistas portugueses não tínhamos ideias muito correctas sobre os socialistas. Considerávamo-los como uma espécie de papão. Mas tínhamos a noção de que, se a segunda revolução começasse, ninguém sabia como as coisas iriam terminar. Não se tratava de saber se a União Soviética apoiaria ou não. Tratava-se da democracia portuguesa e receávamos que, se essa tentativa se concretizasse, as forças do passado pudessem de novo regressar.
Em Portugal, encontrei-me não só com comunistas mas com socialistas, sindicalistas, militares, porque a minha tarefa era estudar a situação. As instruções que tinha da direcção soviética, no caso de se levantar a hipótese da segunda revolução, eram de defesa da ideia do desenvolvimento democrático assente na cooperação com todas as forças de esquerda. Foi o que fiz.» O funcionário da Secção Internacional do CC do PCUS relata um caso curioso que demonstra que, nalguns sectores da esquerda, a intenção era repetir a revolução comunista soviética: «Em Lisboa, tive um encontro informal com um militar, cujo nome não recordo, que me pôs uma questão que, confesso, me deixou assustado: “Poderemos fazer a segunda revolução se a esquadra soviética do Mediterrâneo bloquear o litoral português?” […] sei que não era um militar de alta patente, mas compreendi que estava ligado à direcção do MFA, e penso que a iniciativa não partiu dele. Respondi-lhe: “Imagina o que isso significa?” Em Lisboa havia uma base da NATO, no Tejo estavam ancorados navios de guerra ocidentais. “Quer que combatamos contra eles? Depois de um confronto desses nada restará da vossa revolução».
É igualmente importante assinalar a forma como, segundo o funcionário soviético, a direcção do PCP reagiu às posições soviéticas: «Tive conversas pormenorizadas com Álvaro Cunhal e outros camaradas, que me ouviram com muita atenção. Cunhal fez-me muitas perguntas, a fim de precisar a nossa posição. É sabido que não aconteceu nada […]. sei mesmo que, no fim da minha estadia, houve uma reunião e que, depois, durante um jantar, Cunhal ou [Octávio] Pato – já não me recordo exactamente – disse-me: “Transmita a Moscovo as suas observações e opiniões. Pensamos que a posição do vosso CC é muito ponderada e continuaremos a estudar o assunto».

terça-feira, outubro 24, 2017

"É muito bom ir às fontes russas"



Dois livros que pretendem contribuir para a melhor compreensão das relações entre a Rússia e o mundo. O primeiro é um curto ensaio onde se aborda as etapas mais importantes dessas relações, numa linguagem simples e acessível.
O segundo pretende dar ao leitor ferramentas originais, mais profundas, mas numa linguagem também acessível, à maioria dos leitores, para que eles mesmos tirem conclusões. Reunimos textos de 32 pensadores russos, traduzimo-los do original, enquadramos o...s textos nas épocas em que foram escritos e, por fim, publicamos vários mapas e uma cronologia.
" Acho muito oportuno o aparecimento deste livro… É muito bom ir às fontes russas…", considerou o Embaixador José Cutileiro a propósito da Antologia do Pensamento Geopolítico e Filosófico Russo.
Para grande contentamento do autor, a primeira obra editada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, já vendeu milhares de exemplares e continua a estar presente nas livrarias. Quanto à segunda, estamos (com o João Domingues) à espera da opinião dos leitores sobre este estudo único em língua portuguesa.