sexta-feira, dezembro 09, 2016

Queijo grátis só na ratoeira




A morte do ditador cubano Fidel Castro foi utilizada por algumas forças políticas para continuarem a alimentar mitos esfarrapados e que, no máximo, não passam de meias verdades. Não nos vendam negócios puros e duros por “internacionalismo proletário”

Nos últimos dias, um desses mitos foi múltiplas vezes repetido pelo deputado comunista António Filipe, presidente do grupo parlamentar de amizade Portugal-Cuba, e consistia em chamar a atenção para a vinda de médicos cubanos para trabalharem no nosso país.

Para algumas populações, principalmente do interior do país, isso é um factor muito positivo, tal como a vinda de médicos da vizinha Espanha. Mas estes últimos não são alvo de atenção, porque, quando se ouve os dirigentes comunistas e seus simpatizantes a falarem da vinda de médicos cubanos para Portugal, parece até que eles estão aqui a trabalhar de graça, ou seja, numa espécie de “internacionalismo proletário”.

Mas todos nós sabemos que não é assim, que a vinda de profissionais médicos cubanos para Portugal, não passa de uma das muitas formas de o regime comunista cubano ganhar moeda forte. Calúnia da reacção, dirão dizer alguns, mas vejamos apenas os seguintes factos. Segundo noticiou a RTP a 30 de Maio de 2014 (http://www.rtp.pt/noticias/pais/medicos-cubanos-a-trabalhar-em-portugal-recebem-20-por-cento-do-ordenado_v741515), o Estado português paga 4000 (quatro mil) euros mensais por cada médico cubano que trabalha em Portugal. E agora vem o mais importante, os doutores cubanos recebem apenas 20% dessa quantia e o resto (80%) vai para o Estado Cubano. A mesma televisão pública diz que o negócio se baseia num acordo secreto assinado entre o governo português, chefiado por José Sócrates, e o regime cubano.

Opinião negativa face a esse “internacionalismo médico” tem a Ordem dos Médicos:   “Vários sinais mostram como o Ministério da Saúde está a discriminar negativamente os jovens Médicos portugueses e a empurrá-los consciente e determinadamente para a emigração, ao mesmo tempo que mantém um numerus clausus para Medicina muito acima do necessário e insiste em desperdiçar dinheiro no curso de Medicina de Aveiro!

Este mês, na extensão de Saúde da Adémia, em Coimbra, a ARS do Centro impôs a um especialista em Medicina Geral e Familiar (português, de muita Qualidade e sem barreiras linguísticas e culturais) um contrato de avença de 11 meses (aos cubanos é oferecido um contrato de 3 anos) a ganhar 1800 euros brutos por mês (aos cubanos é oferecido um contrato secreto mas muito muito superior; parece que o Governo tem vergonha de revelar esses contratos…), numa extensão com 2800 utentes (muitíssimo acima das listas dos cubanos e da média nacional), sem direito a férias, sem quaisquer garantias. Sobram 7,75 euros por hora de trabalho de elevada responsabilidade, complexidade e qualidade!” (https://www.ordemdosmedicos.pt/?lop=conteudo&op=ed3d2c21991e3bef5e069713af9fa6ca&id=96671501524948bc3937b4b30d0e57b9).

A julgar por esta declaração, não foi só o governo de Passos Coelho que mandou os jovens especialistas portugueses emigrar, parece que já antes havia esse forte desejo, apenas não foi revelado.

Bem diz o nosso povo que “queijo grátis [aqui podia-se substituir por “internacionalismo proletário], só na ratoeira!”.

A mesma história se passa com o envio de doentes portugueses a Cuba para tratamento. Se Havana tem formas de tratar algumas doenças que nós não temos, é de saudar essa cooperação, mas não nos venham dizer que se trata outra vez de “internacionalismo proletário”. Como é sabido, esses tratamentos são pagos às entidades cubanas, nomeadamente pelas autarquias portugueses que assinaram os respectivos protocolos de cooperação.

Poderão dizer que os tratamentos em Cuba são mais baratos e deverão ser se, por exemplo, tivermos em conta que o salário médio de um médico cubano varia entre os 19 e 34 euros por mês.

Em conformidade com a publicação de documentos após  uma queixa na Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), apresentada pelo jornal i, ficámos a saber que desde o primeiro convénio, celebrado em Junho de 2009, era ministra Ana Jorge e o último aditamento, acordado a 30 de Abril de 2014, ambos assinados em Havana, o Estado português terá pago cerca de 12 milhões de euros aos Serviços Médicos Cubanos (SMC).

Estes serviços são tutelados pela “Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Servicios Medicos Cubanos, SA”, através da qual os médicos do país do castrismo (porque morreu um Castro, mas ficou outro para dar continuidade ao regime) estabelecem contratos de prestação de serviços em vários países, com particular incidência em África e na América do Sul.

De acordo com números das próprias autoridades cubanas de 2014, 64 mil trabalhadores, a maioria dos quais médicos, estão a trabalhar no exterior, estimando-se que as receitas anuais deste tráfico humano se aproximem dos seis mil milhões de dólares.

No já citado artigo da RTP, o bastonário da Ordem dos Médicos falava numa espécie de "escravatura branca".

A lista das mentiras e meias-verdades poderia ser continuada, mas apenas acrescento apenas mais uma também ligada ao Partido Comunista Português, a força política portuguesa mais comprometida com os crimes do regime cubano. No seu XX Congresso, Jerónimo de Sousa, afirmou orgulhosamente que o património do seu partido se deve às quotizações e donativos, o que está longe de ser verdade. Não se podia acreditar nisso nem quando o PCP dizia ter mais de 200 mil militantes, nem agora que tem cerca de 50 mil. Já não é segredo para ninguém que essa força política recebeu muitos milhões de dólares da União Soviética e de outros países do “campo socialista” durante bastantes anos, pelo menos até 1991. Para que serviu esse dinheiro? Não foi para enriquecer o património do PCP?

Normalmente, respondem-me os comunistas que os outros partidos também recebiam e recebem dinheiro do estrangeiro. Acredito que sim, mas não se deve imitar os outros quando violam as leis do país. Por essa lógica, só porque um rouba, todos os outros têm direito a roubar.

domingo, dezembro 04, 2016

Porque será que o PCP resiste ao tempo?

Algumas considerações sobre o congresso do PCP, esse partido que sobrevive devido ao subdesenvolvimento do nosso país e ao facto de substituir a extrema-direita no combate à Europa Unida. Com uma novidade desta vez: com o BE, participam mas não entram [no governo]. No Observador:  http://observador.pt/opiniao/porque-sera-que-o-pcp-resiste-ao-tempo/ .


quinta-feira, dezembro 01, 2016

Mensagem anual de Putin com piscar de olho a países da União Europeia

Vladimir Putin, Presidente da Rússia, pronunciou hoje a sua mensagem anual à nação, sem grandes novidades do plano interno, mas com algumas ideias importante na política externa.
No plano interno, reconheceu dificuldades, mas mostrou confiança no futuro que custa a chegar. Promessas de modernização e diversificação da economia, repetidas há pelo menos 16 anos.
No entanto, gostaria de chamar a atenção para a política externa defendida por Putin. Este começou por afirmar que está aberto ao diálogo na solução dos problemas internacionais e criticou aqueles que continuam a manter mitos como a "agressividade russa".
O Presidente russo, sem citar nomes, acusou a União Europeia de impor censura, tendo em vista a decisão tomada pelo Parlamento Europeu no sentido de serem necessárias medidas para travar a propaganda russa.
Em meu entender, será um erro dificultar ou proibir o trabalho de órgãos de informação russos em línguas estrangeiras como a Russia Today ou a Sputnik. Afinal, os europeus têm cabeça para decidir. Mas claro que os órgãos de informação europeus devem estar atentos a este problema.
No seu discurso, Putin "piscou o olho" aos governos dos países da União Europeia que estão descontentes com Bruxelas, apelando a que eles adiram à "integração euroasiática" realizada sob a direcção da Rússia, chamando a atenção para "os resultados das últimas eleições". Embora não tenha citado nomes, ele teve em vista a eleição de presidentes pró-russos na Bulgária e na Moldávia, bem como as primárias da direita francesa, que elegeu como candidato a Presidente de França: François Fillon.
Quanto à administração Trump, Putin afirma-se pronto para normalizar as relações entre os Estados Unidos e a Rússia, sublinhando que estes países são pela paz no mundo e pela defesa do sistema de não-proliferação de armas nucleares.
Sobre a guerra da Síria não se estendeu muito, mas sublinhou que as Forças Armadas e a Marinha russas mostraram que podem actuar longe das costas da Rússia.
Resumindo, não se esperam mudanças na política de Putin, que não conduz à prosperidade do seu país, mas a um atraso cada vez maior em relação aos países mais desenvolvidos.    

quarta-feira, novembro 30, 2016

Lenine censurado - 4. Ao encontro do Centenário do Golpe de Estado Comunista na Rússia


Em Agosto de 1918, na região de Penza, os camponeses deram início a um levantamento contra a política do poder comunista de requisição e confisco de cereais. Os dirigentes locais informam Lenine e este envia as seguintes instruções:
"Cara a V.V.Kuraev, E.B.Boch, A.E. Minkin
11 de Agosto de 1918
Para Penza
Aos camaradas Kuraev, Boch, Minkin e outros comunistas de Penza
Camaradas! O levantamento dos kulakes [assim os bolcheviques denominavam os camponeses ricos] de cinco distritos deve levar ao seu implacável esmagamento. Isso é exigido pelo interesse de toda a revolução, pois agora tem lugar a "última e decisiva guerra" contra os kulaques. É preciso dar um exemplo.
1) Enforcar (enforcar obrigatoriamente para que o povo veja) um mínimo de conhecidos kulaques, ricaços, vampiros.
2) Publicar os seus nomes.

3) Confiscar-lhes todos os cereais

4) Fazer reféns, em conformidade com o telegrama ontem enviado.

Fazer com que, num raio de mais de cem milhas, o povo veja, trema, saiba, grita: esganam e esganarão os kulaques vampiros.
Telegrafem a informar que receberam e executaram.

Vosso Lenine

P.S. Arranjei pessoas mais duras."

O levantamento foi esmagado no dia a seguir ao envio destes telegrama, mas, a bem da verdade histórica, é necessário dizer que os comunistas locais resolveram o problema através de propaganda e do emprego de um menor emprego da força do que o exigido por Lenine. Os 13 organizadores da revolta foram detidos e fuzilados.


domingo, novembro 27, 2016

Deixemo-nos de rodriguinhos: Fidel foi um carrasco


É útil ouvir várias posições sobre uma mesma pessoa, tanto mais quando se trata de uma figura da envergadura de Fidel Castro, mas cansa ouvir a fórmula "se por um lado..., por outro" para justificar mais um  ditador carniceiro.
Na semana passada, quando ouvi na Antena 1 uma conhecida professora e investigadora falar do "populismo", notei que ela apenas foi buscar exemplos à direita, como se essa doença não afectasse a esquerda. Falou de Hitler, mas se substituísse esse nome por Estaline, ninguém daria conta de nada, porque encaixava como uma luva no mesmo texto.
Fidel Castro era um populista e demagogo, ficando os seus discursos longos, ocos e enfadonhos como um dos exemplos mais evidentes disso. O seu ego era mais importante do que o tempo e a paciência dos ouvintes.
É verdade que ele e um grupo de barbudos derrubou a ditadura odiosa de Fulgêncio Baptista, mas não é menos verdade que ele impôs uma ditadura igual ou pior, porque as ditaduras não são boas quando são de esquerda e más quando são de direita. Ditadura é ditadura e o resto é demagogia.
O regime de Fidel matou milhares no seu próprio país, muitos mais do que Pinochet ou Salazar, mas se a esses juntarmos as vítimas da "ajuda internacionalista" a Angola, Etiópia, etc., etc. , ele talvez roube a palma da crueldade a Francisco Franco ou a outras figuras odiosas da direita. Por isso, deve-se fazer um minuto de silêncio não pelo carrasco, mas pelas vítimas.
Um parêntesis para falar da "ajuda internacionalista e humanitária" do regime de Fidel. Será que ainda haja alguém que não saiba que não se tratava, nem se trata de ajuda, mas de puro negócio? Será que ainda haja alguém que não saiba que, por exemplo, Angola pagou muito caro pelo "apoio" cubano? O governo do MPLA, ou mais precisamente, o povo angolano, pagaram com as suas riquezas naturais. Será que os médicos exportados por Cuba são voluntários e não recebem salários pelo trabalho que fazem? Claro que recebem, e ainda bem que assim é, mas não me venham falar de internacionalismo proletário ou de ajuda fraternal desinteressada.
É verdade que a medicina cubana fez fortes avanços, mas isso não justifica que grande parte da população viva na miséria. E para que serve uma boa medicina se a população vive em condições desumanas? Não será para ganhar dinheiro com a exportação de médicos e com a realização de operações cirúrgicas pagas pelos estrangeiros com os malditos dólares ou rublos?
 É verdade que o embargo económico americano foi contraproducente e dificultou a vida aos cubanos, mas não pode servir para justificar todas as asneiras da "experiência socialista" do regime de Fidel. Não nos devemos esquecer que, entre 1961 e 1991, Cuba recebia apoio do bloco comunista do Leste da Europa, que os comunistas portugueses continuam a considerar o "paraíso perdido". Então a superpotência soviética não tinha meios financeiros para transformar a pequena "ilha da liberdade" numa montra para o Ocidente, um lugar de "virtudes socialistas" para onde os norte-americanos quisessem fugir, a nado ou de barco, do maldito capitalismo?
Para mim não me estranha este tipo de propaganda, pois ela é copiada a papel químico da soviética, que deu os resultados que todos nós sabemos. Por exemplo, a Segunda Guerra Mundial servia e serve para explicar todas as dificuldades da economia e da sociedade soviéticas, não obstante ela ter terminado em 1945. Os maiores obstáculos à agricultura soviética eram a Primavera, Verão, Outono e Inverno, como rezava uma velha anedota soviética.
Fidel Castro privou os cubanos dos mais elementares direitos cívicos através de um sistema repressivo que pouco diferia do regime estalinista. E é ridículo explicar isso com o embargo norte-americano ou com a defesa da revolução. Não, a explicação disso é simples e clara: o regime de partido único não sobrevive sem ditadura e repressão.
Aqui até estou de acordo com Catarina Martins, do BE, que afirmou que essa força política nunca deixou de denunciar, desde logo um regime de partido único que negava liberdades e que perseguiu pessoas pela sua diferença". Mas acho estranho, para não dizer intelectualmente desonesto, o eufemismo por ela empregue: "erros". Não são erros, mas crimes contra a lei e a humanidade. Se Catarina Martins tivesse empregue a palavra "crimes", talvez não tivesse coragem de lhe chamar "grande homem". Então um grande homem podia tratar tão mal as minorias defendidas com tanto ardor pelo Bloco de Esquerda?
Ai quando os cubanos e a opinião pública mundial tiverem acesso à informação plural e aos arquivos da polícia política e do Partido Comunista de Cuba! Alguns irão abrir a boca de espanto, mas outros continuarão a justificar os crimes revelados, como as ligações do regime cubano ao tráfico de droga e ao terrorismo na América Latina e noutros cantos do mundo.
Isto não vos faz lembrar o XX Congresso do Partido Comunista, não do Português, que apenas terá lugar no início de Dezembro, mas do PC da URSS, que teve lugar em 1956, quando foram denunciados os crimes de Estaline? A mim faz, assim como me traz à memória a posição de muitos admiradores e seguidores do ditador soviético: foram cometidos erros, mas...
Mas o quê? Sejamos honestos e tiremos as devidas conclusões para que tragédias semelhantes não se repitam. Repito a minha posição: Entre Hitler e Estaline, venha o diabo e escolha. Os direitos humanos são universais, e não propriedade da esquerda ou da direita, divisão cada vez mais obsoleta. 


quinta-feira, novembro 24, 2016

Eu sou cliente da CGD e cidadão português



Enquanto cliente da Caixa Geral de Depósitos e cidadão português, estou farto de assistir a uma tragicomédia que parece estender-se sem um fim à vista. É nestes casos que apetece dizer: mete nojo!,  até diria: provoca náuseas, vómitos!
Por este andar, fico cada vez mais convencido de que este Governo diz uma coisa e faz outra, ou seja, diz que quer que a CGD continue a ser pública, mas faz com que ela se afunde de forma a, depois, ser privatizada por uns tostões.
Ligo o televisor e a rádio e não há dia que passe sem revelações sobre o “caso CGD”. Passo os olhos pelos jornais e vejo a mesma coisa. Se a minha conta na CGD fosse muito recheada, já deveria andar a ver pesadelos durante a noite e a sentir-me deprimido durante o dia. Mas, mesmo assim, não há mais paciência para assistir a este espectáculo degradante.
Num Estado que diz ser de direito, anda-se meses a discutir se se deve cumprir a lei ou não, ou seja, se os novos gerentes da CGD devem entregar ou não as suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional e se eles ficarão acessíveis a consulta ou não. Mais do que ridículo, isto é muito grave, pois atira por terra qualquer confiança dos cidadãos nas instituições. Como se costuma dizer: “quem não deve, não teme!”.
Mas as coisas tornam-se ainda mais vergonhosas quando se vem a saber que alguém do Governo de António Costa fez promessas à nova equipa de gerentes que vão contra as leis vigentes.
A telenovela já ia longa quando se veio a saber também que António Domingues, actual presidente da CGD, foi mandato pelo Governo para ir a Bruxelas realizar conversações sobre o futuro do banco público quando ainda era administrador e vice-presidente do BPI, o que pode ter provocado conflitos de interesses.  
E o caso arrasta-se, arrasta-se… Não compreendo que haja ainda investidores estrangeiros sérios que queiram empregar o seu dinheiro num país com um sistema bancário que se aproxima do surrealismo. A não ser que não tenham mais lugar onde empregar os seus capitais. Mas compreendo que esta situação atraia os “transportadores” de malas com milhões de euros de proveniência duvidosa, tanto mais que o trabalho destes é facilitado pela existência de notas de 500 euros e de “homens de negócios” que estão dispostos a receber qualquer tipo de dinheiro, por muito sujo que seja. Afinal, não foi o Imperador Vespasiano que disse que “o dinheiro não tem cheiro!” e ainda existirem “produtos bancários”, peço desculpa, queria dizer “produtos químicos”, que “lavam mais branco?
E o mais grave é que somos nós os contribuintes que temos de financiar este circo, e não aqueles que realizaram uma gestão ruinosa da Caixa Geral de Depósitos. Se eu me atraso um dia no pagamento de um qualquer imposto, sou imediatamente castigado sem dó, nem apelo.  Mas nada acontece àqueles que devem milhares e milhares de euros à CGD. Porque razão? 
Depois, senhores governantes, não fiquem surpreendidos com as vitórias de populistas tresloucados nas eleições. Sois vós que criais esses monstros políticos, só não sei bem porque razão: será que pensais escapar quando as coisas derem para o torto ou não tendes pena de nós, cidadãos comuns, nem dos vossos filhos e netos.
Não sei o que será preciso acontecer para que os governantes olhem para os cidadãos com o mínimo de seriedade e respeito.

Ainda pensei retirar o pouco que tenho da CGD, mas coloco a pergunta: e onde o vou guardar? Debaixo do colchão?

terça-feira, novembro 22, 2016

Trump e Putin: amigos para sempre?


O que encerrarão estas duas "matrioshkas"?


A imprensa oficial russa e muitos dos políticos russos que apoiam a política do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, não cabiam de contentes com a vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas, esperando um “futuro radioso” para as relações entre os dirigentes dos países.
Uma das razões para tanta euforia são algumas das promessas políticas que Trump fez durante a campanha eleitoral. Por exemplo, a política de isolacionismo ou o distanciamento em relação à União Europeia.
Além disso, vêem traços comuns no carácter dos dirigentes russo e norte-americano: ambos se apresentam como patriotas, defensores dos interesses nacionais, pouco preocupados com o politicamente correcto nas relações com os seus adversários. Segundo os apoiantes de Putin dentro e fora da Rússia, isso poderá contribuir para o estabelecimento de boas relações pessoais e políticas entre Vladimir Putin e Donald Trump.
Porém, há uma outra característica comum que torna muito difícil prever quais irão ser as relações entre a Rússia e os Estados Unidos: tanto Putin como Trump são políticos imprevisíveis, autênticas “caixas de surpresa”.
Por outro lado, importa salientar que ambos actuam em regimes políticos muito diferentes. Se, na Rússia, Vladimir Putin é senhor absoluto da política interna e externa, Trump, nos Estados Unidos, tem o seu poder limitado pelo Senado e pela Câmara de Representantes. Além do mais, os tribunais gozam de independência em relação ao poder político. Mesmo que os republicanos controlem essas duas câmaras, isso não as transforma em “fantoches” na mão do Presidente, visto que no seio da família republicana há várias tendências.
O dirigente norte-americano tem também de levar em conta os interesses do capital norte-americano, o que não é obrigatório para Putin que não permite que ninguém se imiscua na sua política. Seria possível nos Estados Unidos um processo semelhante ao da petrolífera Yukos na Rússia, onde o seu patrão foi privado da empresa e atirado para a prisão? Receio que não.
A propósito, um dos primeiros atritos entre Moscovo e Washington poderá estar ligado aos preços mundiais do petróleo.  As companhias petrolíferas norte-americanas, que normalmente apoiam os republicanos, defendem o fim das limitações à exploração de petróleo nos Estados Unidos, o que poderá provocar novas quedas no preço desse combustível nos mercados internacionais. Ora, isto será muito desfavorável para a economia russa, já fortemente afectada por isso.
E mais uma diferença substancial: Donald Trump, ao contrário de Vladimir Putin, tem de prestar contas perante os eleitores e vencer eleições a sério e não farsas eleitorais organizadas.  Por conseguinte, o novo dirigente norte-americano terá de apresentar resultados positivos.
No campo da política externa, Trump poderá tentar resolver mais rapidamente problemas como o da guerra na Síria e no Iraque através de um reforço da presença militar norte-americana na região, o que não corresponde aos interesses do Kremlin. Não é líquido esperar que Washington chegue a acordo com Moscovo sobre a forma como resolver outros graves problemas do Médio Oriente, pois nem Trump, nem Putin aceitarão fazer figura de fracos.
Parece igualmente difícil esperar que os dirigentes norte-americanos enfraqueçam a aliança transatlântica e abandonem a União Europeia, uma das grandes esperanças do dirigente russo.
Nestes processos, terá grande peso a equipa que o Presidente americano irá organizar. A este propósito, vale a pena recordar outro dirigente republicano: Ronald Reagan. Quanto foi eleito Presidente, foi alvo de numerosas críticas e até de chacota, sublinhando os seus críticos que ele não passava de um “actor de segunda”. Porém, reuniu em seu redor uma equipa muito forte, capaz de derrotar o seu principal adversário: a União Soviética. 
Alguns dos nomes apontados para a equipa de Trump, como, por exemplo, James Mettis (conhecido por “Cão Raivoso), para ministro da Defesa dos Estados Unidos, não prometem vida fácil ao dirigente russo.  Porém, há também políticos como Michael Flynn, futuro conselheiro para a segurança nacional, que defende uma maior cooperação dos Estados Unidos com a Rússia na Síria.
Ainda falta mês e meio para que Donald Trump passe a ocupar o cargo de Presidente dos EUA e muita coisa poderá acontecer até lá. Vamos esperar o melhor, mas não há razões para optimismo.


P.S. Embora as relações entre Washington e Moscovo sejam muito importantes, devido ao facto de serem os dois países potências nucleares, a prioridade para Trump, na política externa, deverá ser a China devido às fortes relações económicas existentes entre os dois países, bem como ao poderio crescente de Pequim no palco internacional.